“É como se o Super Homem estivesse saindo da liga da justiça, sabe?”

Estou quase certa de que uma das maiores bênçãos que se pode ter na vida é uma relação bonita com um irmão. Eu nunca quis ter irmã, e muito provavelmente devo ter sentido ciúmes à medida que a barriga da minha mãe crescia, juntamente com sua devoção aos novos bebês.  

Fui abençoada com dois bonecos vivos, que cresceram (mais que eu, inclusive) para se tornarem meus melhores amigos, para com eles formar uma liga da justiça, um clã, uma quadrilha, um clube dos 3, uma sociedade secreta, um grupo de subversivos da ordem paterna e materna. 

Eu tinha acabado de chegar em Jericoacoara e liguei para meu irmão com quem dividia o apartamento na época para avisar que estava viva e morrendo de calor. Mas quase morri quando ele comunicou meio feliz meio tenso: pedi a Lu em casamento! 

Desnecessário dizer que a Lu era a cunhada dos meus sonhos…mas nem isso impediu de sentir o choque da separação iminente. 

Deus é tão bom, gente, não duvidem! Ele foi me preparando aos poucos para todas as coisas novas que iriam acontecer nessa que chamo vida. Lembro que nossa relação começou a mudar, mesmo diante dos protestos e negações do meu irmão. Providencial o aviso de uma amiga: “galega, ele ta mudando e ainda vai mudar mais quando se casar. Com meu irmão foi a mesma coisa.”  De fato, mudou tanto que se mudou pra Belo Horizonte. De vez em quando me pego nostálgica, saudosa do nosso tempo de amigos inseparáveis. 

 No dia do casamento, o mais lindo que assisti até hoje, eu chorei sem parar. Não lembro de uma palavra que o pastor disse, mas lembro que a comoção era generalizada. Foi muito emocionante ver dois amigos de infância descobrirem o amor e se casarem.

 Sábado passado foi a vez de eu perder mais um amigo. Fui madrinha relutante, avessa que sou a eventos sociais em geral. Meu par no altar era o irmão mais emotivo e sincero deste meu outro ex-melhor amigo. Choramos ambos como se estivéssemos em um funeral. Pudera, mais um que muda e muda. Já está praticamente instalado na cidade maravilhosa, para onde levará sua noiva, tirando-a de sua irmã e amigas, que podem querer assinar embaixo dessa crônica. 

Depois da troca de alianças e antes do beijo, o irmão abandonado olha pra mim e diz: “é como se o Super Homem estivesse saindo da Liga da Justiça”…  Choramos de braços dados a caminho da festa, avisando aos demais padrinhos que estávamos felizes, muito felizes… 

Salve Cédric e Keyla!  

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1 Comment

  1. Ruiva said,

    May 15, 2007 at 10:40 am

    Enquanto isso lá em casa…

    Isso me lembrou um causo: no casamento do meu irmão Alexandre, semanas atrás, eu estava no altar ao lado do meu outro irmão Carlinhos, e chorei + no começo do q durante a cerimônia, que é sempre chata na igreja católica. Quando veio a hora dos abraços individuais, abracei meu irmão fofo e quase-talvez preferido com alegria seca, seca de sem lágrimas, mas incrivelmente feliz por estar ali, presenciando sua vitória, mto mais do que o casamento em si.
    Quando ele foi abraçar meu irmão, no entanto, eles ficaram daquele jeito por longos minutos, num prato sufocada, lágrimas rolavam, muita emoção. No momento, até brinquei depois, senti uma rejeição. Pq não fui abraçada daquele jeito? E minha mãe, sempre sábia, explicou: você abraçou seu irmão a vida inteira. E eles, de outro lado, fizeram-no pelo primeira vez.


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